Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sem informação, não há quórum.

Últimas
Congresso

Senado abre discussão da PEC que acaba com a escala 6×1; votação ainda depende de acordo entre líderes

Texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, e precisa de 49 votos em dois turnos. Qualquer mudança devolve a proposta à Câmara.

Compartilhe
Senador Omar Aziz discursa na Comissão de Constituição e Justiça do Senado
Relator Omar Aziz (PSD-AM) na CCJ, em 2 de setembro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (CC BY-SA 4.0)

O plenário do Senado começa nesta terça-feira (6), às 14h, a discutir a Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala 6×1, o regime de seis dias de trabalho para um de descanso. É a primeira de cinco sessões de debate exigidas antes da votação em primeiro turno. Outras duas já estão marcadas para quarta (7) e quinta-feira (8). A data da votação, porém, ainda não foi fixada.

A retomada ocorre dois dias depois do primeiro turno das eleições. Em setembro, a base do governo chegou a planejar a votação logo após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas recuou por não ter certeza de que alcançaria o quórum necessário. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu o adiamento a uma articulação da oposição para esvaziar o plenário e prometeu que a PEC seria votada até o fim de outubro.

O que muda

A PEC 221/2019, que tem o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como primeiro signatário, reduz o limite constitucional da jornada de 44 para 40 horas semanais, que poderão ser cumpridas em cinco dias de oito horas. O texto garante dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, e proíbe que a jornada menor implique corte de salário. Continuam permitidas a compensação de horários e a redução da jornada por acordo ou convenção coletiva.

A transição é gradual, com prazo de 14 meses para a regra das 40 horas entrar plenamente em vigor. Na CCJ, foi rejeitada uma emenda que ampliava esse período para até quatro anos.

O caminho até aqui

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e ficou quase três meses na Mesa do Senado antes de ser despachada para a CCJ, em agosto. Na comissão, o relator Omar Aziz (PSD-AM) manteve integralmente o texto dos deputados e rejeitou as 36 emendas apresentadas, entre elas as que buscavam preservar a escala 6×1 ou jornadas acima de 40 horas. O parecer foi aprovado em votação simbólica em 2 de setembro.

Em seu relatório, Aziz lembrou que o teto de 44 horas está na Constituição desde 1988 e nunca foi revisto, apesar das mudanças de produtividade e de tecnologia na economia. Na sessão da comissão, também contestou a tese de que a medida quebraria a economia e criticou os acordos individuais entre patrão e empregado, por considerar desigual a relação entre as partes.

Do outro lado, o líder da oposição, Rogerio Marinho (PL-RN), apresentou uma alternativa que mantém a escala 6×1 e o limite de 44 horas, permitindo outros arranjos por negociação direta entre trabalhador e empregador.

O que falta para a aprovação

  1. Cinco sessões de discussão em primeiro turno no plenário. Três já estão marcadas para esta semana.
  2. Votação em primeiro turno, com pelo menos 49 dos 81 senadores (três quintos da Casa).
  3. Três sessões de discussão em segundo turno.
  4. Votação em segundo turno, com o mesmo quórum de 49 votos.
  5. Promulgação pelo Congresso Nacional. Por ser emenda constitucional, o texto não passa por sanção presidencial.

Os prazos podem encurtar se os senadores aprovarem um calendário especial, o que depende de acordo entre os líderes. E há uma condição decisiva: se o Senado alterar qualquer ponto do texto, a PEC volta para nova análise da Câmara. Foi justamente esse o argumento do relator para não acolher nenhuma emenda.

Em nota, a Presidência do Senado afirmou que o tema será debatido com responsabilidade e equilíbrio, considerando os trabalhadores, o setor produtivo e o desenvolvimento do país.

Com informações da Agência Senado e da Agência Brasil.

Acompanhe a Quórum no Instagram
Compartilhe

Aponte um erro neste texto · Política de correções

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *