O eleitor que não foi: abstenção chega a 33,4 milhões e bate recorde
Um em cada cinco eleitores aptos ficou longe da urna no primeiro turno. Os ausentes somam quinze vezes a distância entre Flávio e Lula.
O domingo (4) tinha urna, mesário, cabine e fiscal. Faltou gente. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33,4 milhões de eleitores não compareceram ao primeiro turno das Eleições 2026, uma abstenção de 21,08%. Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, 125,2 milhões votaram, e o restante deixou a cadeira vazia.
O maior vazio em 28 anos
O percentual é o mais alto desde 1998, eleição vencida por Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno, quando 21,49% do eleitorado não compareceu. Em números absolutos, porém, 2026 é recorde: no primeiro turno de 2022, 32.770.982 eleitores faltaram, e a taxa foi de 20,95%.
A alta vem de longe. Em 2006, a abstenção no primeiro turno presidencial foi de 16,75%. Subiu para 19,39% em 2014, para 20,33% em 2018 e, neste ano, atravessou a marca dos 21%.
Há ainda quem foi e não escolheu. Entre os que compareceram, 2,3 milhões votaram em branco para presidente e 3,6 milhões anularam o voto. Eles não entram na conta da abstenção, mas também não entram na de nenhum candidato.
O mapa da ausência
O Mato Grosso do Sul liderou as ausências, com 23,85%, seguido pelo Rio de Janeiro (23,31%) e por Minas Gerais (22,62%). Na outra ponta, o Ceará foi o estado mais assíduo, com abstenção de 15,33%. O Piauí, Roraima e Sergipe vieram logo depois, todos abaixo de 17,5%.
O que diz o TSE
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse que o tribunal vai intensificar e aperfeiçoar os mecanismos disponíveis para reduzir a abstenção no segundo turno. “Não é o ideal uma abstenção de 20%”, afirmou.
A conta que interessa ao dia 25
A disputa presidencial volta às urnas em 25 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos, cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula (PT), que ficou com 45,16%. Flávio venceu em 15 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal.
Faça a conta: os ausentes do primeiro turno equivalem a cerca de quinze vezes essa diferença. Segundo a TV Brasil, trazer esse eleitor de volta está entre as principais estratégias das duas campanhas.
No exterior, o jornal francês Le Monde destacou que a abstenção de 21% deixa um grande contingente de eleitores em disputa, capaz de pesar na decisão do segundo turno.
Piauí: menos cadeiras vazias
No Piauí, o comparecimento foi de 82,85%, e a abstenção, de 17,15%, a terceira menor do país. Os números constam do relatório da Comissão Apuradora do TRE-PI, apresentado na segunda-feira (5), depois da totalização de 11.261 seções eleitorais. A taxa ficou 3,93 pontos percentuais abaixo da média nacional.
Ao todo, 463.790 dos 2.704.758 eleitores piauienses aptos não votaram. A taxa de 17,15% é um pouco menor que a de 2022, quando ficou em 17,7%. Em Teresina, só 14,95% faltaram, o equivalente a 88.646 eleitores.
A presença melhorou, mas o voto em ninguém cresceu em relação a 2022. Na disputa pelo governo, decidida no primeiro turno com a reeleição de Rafael Fonteles (PT), os brancos somaram 3,45% e os nulos, 6,12%. Juntando abstenção, brancos e nulos, cerca de 678 mil piauienses não escolheram governador, mais do que os cerca de 558 mil votos de Joel Rodrigues (PP), segundo colocado.
No estado, o segundo turno será só para presidente. Em 2022, a abstenção no Piauí subiu de 17,7% para 18,7% de um turno para o outro.
Quem faltou ainda pode votar
Quem não votou no dia 4 pode votar no dia 25, desde que o título esteja regular. Quem não justificou a ausência no dia da eleição tem até 60 dias após cada turno para fazê-lo, pelo e-Título ou pelo Sistema Justifica. Para o primeiro turno, o prazo termina em 3 de dezembro. Sem justificativa aceita, a multa é de R$ 3,51 por turno, e quem faltar nas duas datas precisa justificar cada ausência.
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