Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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Coluna do MB

Medo, porrada e bomba

Com 2,2 milhões de votos separando Flávio e Lula e 33,4 milhões de brasileiros que preferiram o sofá à urna, o segundo turno será decidido menos por quem explicar melhor o Brasil e mais por quem conseguir assustar, bater e mobilizar melhor.

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Montagem com o presidente Lula, de chapéu e mão no queixo, e o senador Flávio Bolsonaro, com a mão na testa
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno em 25 de outubro. Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão

Todo segundo turno começa com uma promessa solene de debate de ideias. Dura pouco. Normalmente, até a terça-feira. Depois, alguém descobre que uma proposta de governo não viraliza, uma planilha não indigna e a responsabilidade fiscal jamais ganhou uma discussão no grupo da família. Aí entram o medo, a pancada e, se houver alguma guardada, a bomba. É feio. Mas eleição nunca pediu licença à estética.

Em 2026, economizaram tempo. A eleição mal virou a página e os dois lados já entraram no ringue de luvas calçadas. Dizem que o segundo turno é outra eleição. É. O detalhe é que continua sendo disputado pelos mesmos candidatos, com os mesmos defeitos e carregando tudo o que fizeram até domingo.

E o domingo deixou um número impossível de ignorar. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos válidos. Lula ficou com 53.876.617, equivalentes a 45,16%. A diferença foi de 2.227.651 votos.

Ninguém ganhou. Mas também não adianta fingir que ninguém saiu na frente.

Flávio saiu.

E, numa eleição apertada, começar o segundo tempo vencendo por um gol continua sendo melhor do que entrar em campo precisando marcar. Até o dia 25, portanto, a campanha brasileira cabe em três palavras pouco republicanas, mas eleitoralmente eficientes: medo, porrada e bomba.

O medo será usado principalmente por quem precisa virar. A porrada será democrática e virá dos dois lados. Já a bomba é aquele fato novo que todo candidato diz repudiar, todo marqueteiro diz temer e quase todo comitê gostaria de ter guardado na gaveta para a última semana.

O placar não tem ideologia

Antes de qualquer torcida, uma inconveniência: os números. Eles têm o péssimo hábito de não respeitar a nossa preferência política.

As primeiras pesquisas do segundo turno mostram uma disputa apertada, mas não contam exatamente a mesma história. O Datafolha registrou Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. A Atlas/Bloomberg chegou a 52,8% contra 47,2%. O Ipespe, divulgado depois, apontou 52,7% a 47,3% nos votos válidos.

Há, porém, uma fotografia diferente. A Vox colocou Lula numericamente à frente, com 44,2% das intenções de voto contra 42,7% de Flávio. A vantagem é de apenas 1,5 ponto e está dentro da margem de erro de 2,15 pontos percentuais. É empate técnico, portanto, mas serve de advertência: pesquisa não é placar.

A Quaest chega nesta segunda, dia 12.

Outro número pesa tanto quanto a intenção de voto: a rejeição. No Datafolha, 46% afirmaram que não votariam em Lula, enquanto 43% disseram o mesmo sobre Flávio. É uma diferença pequena numa eleição em que os dois carregam rejeições enormes, mas basta para mostrar que Lula já não monopoliza o argumento do “mal menor”.

Na polarização, chega uma hora em que ninguém mais tenta convencer o eleitor de que seu candidato é maravilhoso. O trabalho passa a ser outro: demonstrar que o adversário é insuportável.

A terceira via descobriu que tinha lado

Boa parte da chamada terceira via desceu do muro.

Augusto Cury, terceiro colocado, declarou apoio a Flávio depois de uma negociação que resultou numa carta de compromissos. Ronaldo Caiado e Romeu Zema também declararam apoio ao senador, enquanto Renan Santos ficou neutro.

Cury fez questão de registrar que seu apoio não significava um “cheque em branco”.

A expressão é bonita. O problema é que ninguém mais usa cheque.

De toda forma, o movimento importa. Os candidatos que ficaram pelo caminho carregam alguns milhões de votos e, embora o voto não pertença nem mesmo ao candidato que o recebeu, a direção dessa migração pode decidir uma eleição separada por pouco mais de dois milhões.

Nesse ponto, a conta de Lula é simples de entender e difícil de executar: ele precisa crescer mais do que Flávio.

Só que talvez a situação dele não seja tão ruim quanto parece.

A conta de padaria

Um amigo meu, advogado, doutor (com doutorado de verdade, para não restar dúvida) e comunista, resolveu fazer uma conta de padaria.

Pois bem. Entre uma cerveja e outra, a matemática colaborou.

Voltemos a 2022.

Naquele primeiro turno, Lula teve 57.259.504 votos. Bolsonaro, 51.072.345. No segundo, Lula chegou a 60.345.999 e Bolsonaro, a 58.206.354.

Agora olhe para o crescimento, e não apenas para o resultado final.

Lula acrescentou 3.086.495 votos entre os dois turnos. Já Bolsonaro acrescentou 7.134.009.

Embora tenha perdido, Bolsonaro buscou mais de sete milhões de votos em menos de um mês, cerca de quatro milhões a mais do que Lula.

Vem, então, a parte interessante: inverta os papéis.

Se Lula, em 2026, acrescentasse exatamente os 7.134.009 votos que Bolsonaro acrescentou em 2022, sairia dos atuais 53.876.617 para 61.010.626 votos. Se Flávio somasse exatamente os 3.086.495 votos que Lula somou naquela eleição, sairia de 56.104.268 para 59.190.763.

Resultado da conta de padaria: Lula terminaria cerca de 1,82 milhão de votos à frente.

Não é previsão nem pesquisa. É conta feita em guardanapo, com caneta emprestada do garçom.

Mas basta para desmontar a ideia de que os 2,2 milhões de votos de vantagem de Flávio formam uma muralha.

Não formam.

Soma-se a isso uma inversão política curiosa em relação a 2022. Naquela eleição, quem ocupava a Presidência da República e tentava a reeleição era Bolsonaro. Agora, quem ocupa a cadeira, dispõe da visibilidade institucional do cargo e comanda uma coalizão governista é Lula.

Isso não significa que a chamada “máquina” coloque votos automaticamente dentro da urna. Se fosse assim, presidente não perderia eleição. O crescimento de Bolsonaro em 2022 também veio da transferência dos votos dos candidatos eliminados, da campanha, da mobilização e da redução da abstenção. Transformar aqueles sete milhões em produto exclusivo da Presidência seria intelectualmente preguiçoso.

Mas ignorar a mudança de posição seria igualmente ruim.

Quatro anos atrás, Lula entrou no segundo turno na frente e viu o presidente da República correr atrás. Agora, Lula é o presidente que corre atrás.

A situação se inverteu. Se o movimento dos votos também se inverter, a eleição vira junto.

Os 33,4 milhões do sofá

Entra aqui outro número gigantesco.

No primeiro turno, 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Foram 21,08% do eleitorado, o maior percentual de abstenção numa eleição geral desde 1998. Além deles, houve cerca de 2,3 milhões de votos em branco e 3,67 milhões de votos nulos.

Enquanto a militância discute política como se o Brasil inteiro estivesse numa trincheira, existe um país enorme que simplesmente não entrou na guerra.

A diferença entre Flávio e Lula cabe quase quinze vezes dentro da abstenção.

Mas não há 33 milhões de votos disponíveis sobre uma mesa, esperando que alguém apareça para recolhê-los. O ausente não é um eleitor esperando resgate. Se fosse fácil levá-lo à urna, provavelmente já teria ido.

A experiência de 2022 mostra justamente essa dificuldade. Naquele ano, 32,7 milhões de brasileiros não compareceram no primeiro turno, e o segundo teve um aumento relativamente pequeno no comparecimento. Ainda assim, houve movimento suficiente entre candidatos e eleitores para Bolsonaro acrescentar mais de sete milhões de votos.

Talvez, portanto, o erro seja olhar apenas para a abstenção.

Lula não precisa convencer 33 milhões de pessoas a sair de casa. Precisa de um saldo líquido superior aos 2,2 milhões que hoje o separam de Flávio, somando novos eleitores, parte dos votos dos candidatos eliminados e alguma mudança de voto. E há um complicador: desta vez, a terceira via pende para o outro lado. Segundo o Datafolha, 46% dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema declaram voto em Flávio, e 32%, em Lula.

Continua difícil.

Só deixou de parecer impossível.

Lula vai vender medo. Porque precisa.

A matemática ajuda, mas não faz campanha. Para isso, Lula vai precisar de medo.

Não digo isso como crítica moral, mas como leitura de estratégia. Quem está atrás e já governou o país três vezes dificilmente consegue se vender como a novidade da eleição. Resta, então, uma velha ferramenta da política: quando não é possível fazer o eleitor desejar o futuro que você oferece, tente fazê-lo temer o futuro que o adversário representa.

A campanha já entrou nesse terreno. Vídeos passaram a associar uma eventual vitória de Flávio a cortes em programas sociais, no salário mínimo e em políticas públicas. O TSE determinou a remoção de peças que atribuíam ao adversário cortes específicos sem respaldo no programa de governo ou em declarações do candidato.

O medo continuará. Só apareceu um inconveniente novo: o TSE resolveu conferir a bula antes de deixar vender o remédio.

O segundo movimento de Lula é igualmente revelador: ele decidiu aparecer mais.

Quem está na frente pode tentar administrar a vantagem. Já quem precisa buscar votos tem de produzir acontecimentos, ocupar o noticiário e criar momentos de campanha capazes de furar as bolhas.

É aí que entram os debates. Depois de um primeiro turno sem nenhum confronto direto, os dois devem se encontrar pela primeira vez na TV: a Record desistiu do seu, a Band abre a série no dia 18, e o último, na Globo, será no dia 23, a dois dias da votação.

Dinheiro compra marqueteiro, cenário, pesquisa qualitativa, preparação e vinte assessores capazes de explicar o que o candidato deveria dizer. Não compra aqueles cinco segundos depois de uma pergunta para a qual ele não tem resposta.

E cinco segundos, numa campanha presidencial, às vezes duram uma semana.

Flávio precisa aprender a não estragar a própria vantagem

A estratégia de Flávio parece, pelo menos no papel, mais simples: preservar os votos que já recebeu, falar para o centro, reduzir a rejeição e evitar erros desnecessários.

Em português claro: se está ganhando, não inventa.

O problema é que pedir moderação permanente ao bolsonarismo é mais ou menos como pedir silêncio numa arquibancada depois do gol.

O movimento político que cresceu no confronto costuma sentir falta dele quando a temperatura baixa. Às vezes, recebe a bola sozinho e, ainda assim, prefere dar um carrinho.

A campanha de Flávio já mostrou esse risco. O TSE determinou, por unanimidade, a retirada de publicações de Flávio que associavam Lula a organizações criminosas. Do outro lado, conteúdos contra Flávio também foram removidos pela Justiça Eleitoral.

Ou seja, se Lula joga com o medo, Flávio não exatamente entrou em campo carregando flores.

Não há santo neste segundo turno. Há candidato.

E a primeira bomba já explodiu

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, determinou a expedição do mandado de prisão de Eduardo Bolsonaro para o cumprimento da pena de quatro anos e dois meses pelo crime de coação no curso do processo, com o cancelamento dos passaportes. A condenação decorre da atuação atribuída ao ex-deputado para pressionar o Supremo durante o processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Em outra eleição, seria uma bomba. Nesta, talvez seja apenas a primeira.

Para Lula, o episódio permite recolocar no centro da campanha a família Bolsonaro e o conflito institucional dos últimos anos. Para Flávio, oferece material para uma narrativa conhecida de seu eleitorado, baseada na crítica ao Supremo e na alegação de perseguição política.

Meu palpite é que esse episódio pouco convence quem ainda está escolhendo. É uma bomba que faz bastante barulho dentro das próprias trincheiras.

Mas há mais munição na prateleira. O caso Banco Master, a relação com Daniel Vorcaro, o financiamento do filme “Dark Horse” e outras acusações já começaram a aparecer na propaganda. Algumas delas, aliás, já pararam no TSE, que suspendeu peças da campanha de Lula sobre o caso e manteve outras no ar.

Campanha presidencial não guarda munição por apego. Guarda para usar.

Eu prestaria especial atenção à reta final. A dois dias de uma eleição apertada, qualquer fósforo parece incêndio.

Nas redes, a verdade chega depois do encaminhar

Se a televisão recuperou o debate, a internet jamais abandonou a guerra.

De um lado, apareceu o “Exército do Lula”, articulado pelo deputado André Janones. Do outro, a mobilização digital bolsonarista tenta responder com seus próprios canais e grupos.

O nome escolhido já diz alguma coisa sobre o ambiente. Quando a militância se organiza em “exército”, ninguém está exatamente se preparando para um seminário sobre políticas públicas.

O canal de Janones passou de cerca de 50 mil para quase 2 milhões de seguidores em dois dias. O PL respondeu com uma ofensiva de denúncias em massa para derrubá-lo, e um senador bolsonarista pediu ao Ministério Público Eleitoral que investigue seu funcionamento.

Só que a Justiça Eleitoral continua presa a uma contradição quase insolúvel. Ela pode determinar a retirada de uma mentira, mas geralmente só consegue fazer isso depois que a mentira circulou.

O vídeo derrubado na quinta pode ter circulado na terça, virado corte na quarta, entrado no grupo da família, chegado ao condomínio, recebido uma legenda nova e, quando aparece a decisão judicial, talvez já exista até uma versão com música dramática.

Na internet, a mentira não precisa vencer no processo. Precisa apenas ganhar prazo.

Nos grupos fechados, o juiz muitas vezes nem sequer consegue acompanhar a velocidade da circulação. Ali será disputada uma parte importante deste segundo turno, não necessariamente pelo melhor argumento, mas pelo argumento que chegar primeiro.

Dois países dentro da mesma urna

O mapa do primeiro turno voltou a mostrar um Brasil profundamente dividido. Lula manteve sua força no Nordeste, enquanto Flávio venceu nas demais regiões e ampliou o desempenho bolsonarista em diferentes partes do país.

A divisão não é apenas geográfica. Ela atravessa a renda, a religião, a escolaridade, a percepção sobre o governo e a identidade política.

São dois Brasis que usam a mesma moeda, assistem ao mesmo futebol, reclamam do mesmo preço das coisas e, politicamente, às vezes parecem morar em países diferentes.

Por isso, as tarefas dos dois candidatos não são iguais. Lula precisa transformar sua vantagem no Nordeste em comparecimento e buscar votos fora de sua fortaleza para reduzir a diferença nas regiões em que perdeu. Flávio, por sua vez, precisa conservar a coalizão que lhe deu a dianteira no primeiro turno e impedir que a sensação de vantagem produza aquilo que toda campanha teme: acomodação.

O eleitor com medo de perder costuma ir votar. O eleitor convencido de que já ganhou pode resolver almoçar mais tarde.

A história ajuda. Mas não vota.

Há um dado histórico desconfortável para Lula: desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno presidencial em segundo lugar conseguiu a virada.

Mas a política adora transformar retrospecto em destino até o exato momento em que alguém quebra o retrospecto.

A eleição de 2026 vive, assim, uma tensão. De um lado, Flávio carrega a vantagem real do primeiro turno e aparece numericamente à frente em vários dos primeiros levantamentos realizados depois dele. De outro, a Vox registrou empate técnico, e a experiência de 2022 mostra que milhões de votos podem se deslocar entre uma rodada e outra.

Nenhum desses dados autoriza alguém sério a anunciar o resultado com duas semanas de antecedência. Todos eles, porém, ajudam a entender o tamanho do problema de cada lado.

Flávio precisa conservar.

Lula precisa crescer. E crescer mais.

Até o dia 25

Duas semanas são uma eternidade para quem acompanha política e quase nada para quem precisa mover milhões de votos.

Flávio começa o segundo turno com a vantagem concreta produzida pelas urnas. Lula, porém, dispõe de algo que Bolsonaro tinha em 2022 e que agora mudou de mãos: a posição de presidente candidato à reeleição.

Quanto isso vale? Ninguém sabe. Certamente não vale sete milhões de votos por decreto.

Mas aquela conta de padaria, feita por um comunista doutor entre uma cerveja e outra, serve ao menos para retirar uma ilusão da mesa: 2,2 milhões de votos não são uma diferença confortável diante do tamanho dos movimentos que o Brasil já viu entre dois turnos.

A disputa está aberta, e isso muda a estratégia dos dois.

Lula precisa mobilizar quem não foi, capturar parte dos votos que ficaram órfãos no primeiro turno, reduzir a própria rejeição e usar a condição de presidente sem que o uso do cargo pareça desespero.

Flávio precisa fazer quase o contrário: preservar a dianteira, falar para além da própria base, não assustar o eleitor de centro e resistir à tentação de transformar toda provocação em uma nova guerra cultural.

No meio disso haverá propaganda, decisões do TSE, cortes de vídeo, pesquisas, acusações, desmentidos, grupos de WhatsApp, debates e algum fato que ainda não aconteceu. Talvez mais de um.

Por isso, espere medo na propaganda, porrada nos debates e, eu apostaria, pelo menos mais uma bomba antes do dia 25.

O eleitor brasileiro conhece esse filme. Já viu herói virar vilão, escândalo evaporar em 48 horas, favorito tropeçar e um assunto aparentemente irrelevante dominar uma semana inteira.

A única coisa que ainda não sabemos é quem escreverá o último capítulo. Talvez não seja Lula. Talvez não seja Flávio. Talvez sejam justamente os milhões de brasileiros que, no primeiro turno, decidiram que nenhum candidato merecia tirá-los de casa.

E há certa ironia nisso.

Depois de bilhões gastos, milhares de peças de propaganda, marqueteiros, pesquisas, decisões judiciais, exércitos digitais e uma guerra diária pela atenção do país, a Presidência da República pode acabar decidida por uma pergunta muito mais simples:

quem consegue fazer o sujeito levantar do sofá num domingo?

Até lá, teremos medo.

Porrada.

E bomba.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Datafolha, AtlasIntel/Bloomberg, Ipespe, Vox, Agência Brasil, Estadão Conteúdo, SBT News, Correio da Manhã e Congresso em Foco.

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