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Argentina perde mais de 32 mil empresas desde a posse de Milei, apontam dados oficiais

Dados oficiais da Superintendência de Riscos do Trabalho mostram 18 meses seguidos de queda; a perda já supera a registrada na pandemia

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O presidente da Argentina, Javier Milei, sentado à mesa durante reunião da cúpula de chefes de Estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu
O presidente argentino Javier Milei na 67ª Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, em dezembro de 2025. Foto: Casa Rosada/Divulgação (CC BY 2.5 AR)

Dados oficiais da Superintendência de Riscos do Trabalho mostram 18 meses seguidos de queda; a perda já supera a registrada na pandemia

A Argentina tem hoje 32.290 empresas empregadoras a menos do que tinha quando Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. O número consta do relatório mais recente da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão do governo argentino, com dados fechados em julho de 2026.

Em novembro de 2023, último mês do governo Alberto Fernández, o país contava 512.357 empregadores. Em julho deste ano, eram 480.067, uma queda acumulada de 6,3%. Pelo critério da SRT, conta como empresa toda pessoa física ou jurídica com pelo menos um empregado registrado, excluído o trabalho doméstico.

Dezoito meses de retração

Só em julho, o saldo entre aberturas e fechamentos ficou negativo em 948 empresas na comparação com junho, cerca de 30 por dia. Foi o 18º mês consecutivo de recuo.

Em doze meses, de julho de 2025 a julho de 2026, a perda chega a 15.475 firmas, retração de 3,1%. No acumulado deste ano, são 9.682 a menos em relação às 489.749 registradas em dezembro.

Pelos números do próprio órgão, o encolhimento é maior que o da pandemia de covid-19. Entre fevereiro de 2020 e setembro de 2021, quando a série tocou o piso daquele período, desapareceram 21.405 empresas, cerca de dois terços do total perdido agora. A SRT ressalva, porém, que a estatística não permite atribuir uma causa específica a cada baixa.

Empregos e setores

A redução no número de empregadores acompanha a perda de vagas formais. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), que trabalha com a base da SRT, 437.611 empregos registrados foram eliminados desde o início do governo, 3.485 deles em julho.

Nos levantamentos do CEPA, o comércio aparece como o setor que mais perdeu empregadores em números absolutos, e transporte e armazenamento, como o de maior queda proporcional. Quase todos os fechamentos se concentram em pequenas e médias empresas.

O desemprego chegou a 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026, alta de 0,3 ponto percentual sobre o mesmo período de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Do outro lado, a inflação mensal de agosto foi de 1,7%, a menor em 14 meses.

O que diz o governo

Milei contesta a leitura negativa dos dados. Em entrevista concedida em agosto, o presidente afirmou que muitas das empresas que fecham são formadas por uma só pessoa, que o emprego cresceu e que o consumo está em nível recorde. O governo sustenta que o movimento faz parte da reorganização de uma economia que acumulava desequilíbrios.

Para o centro de pesquisas Fundar, que acompanha mensalmente a série da SRT, as empresas enfrentam dificuldade para competir por uma combinação de custos elevados, câmbio valorizado e maior abertura da economia.

Por que importa

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e o desempenho da economia vizinha repercute nas exportações brasileiras, sobretudo de manufaturados. O programa de ajuste de Milei, com corte de gastos e abertura econômica, chega ao terceiro ano sob a pressão desses indicadores.

Fonte: Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), Centro de Economia Política Argentina (CEPA), Fundar e Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), da Argentina.

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