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E-mails obtidos pela PF ligam Flávio Bolsonaro a conta de advogado investigado no caso do INSS, diz UOL

Relatório da Polícia Federal revelado nesta quarta-feira (14) aponta o senador Flávio Bolsonaro como usuário master da conta da Alcazar Holdings, offshore que detinha um terço do jato em que ele viajou aos Estados Unidos em 2025. Outra cota do avião era da Prime You, empresa que teve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como sócio. Para a PF, o cadastro sustenta a hipótese de participação de fato do senador na empresa, o que o documento sozinho não comprova. Flávio e o advogado Willer Tomaz negam qualquer vínculo financeiro.

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

E-mails apreendidos pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, indicam que uma conta identificada com o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve vinculada ao mesmo acesso bancário usado pelo advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro no esquema. A informação foi revelada neste sábado (10) pelo UOL, em reportagem de Fábio Serapião e Natália Portinari.

Flávio, candidato do PL à Presidência da República no segundo turno, e Tomaz negam ter mantido qualquer relação financeira.

O que dizem os e-mails

As mensagens estavam guardadas no iCloud do advogado e foram trocadas entre o escritório dele e o banco Santander. Em 22 de maio de 2025, a funcionária Fayla Zulmira Menezes pediu ao banco que desassociasse uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do usuário master ligado a Tomaz. A exclusão foi confirmada no mesmo dia, cerca de um mês depois da primeira fase da operação.

Segundo a reportagem, o acesso estava relacionado à Alcazar Holdings, empresa sediada em Portugal da qual Tomaz é sócio e que figura entre as firmas investigadas pela PF. Nas contas de pessoa jurídica do Santander, o usuário master pode fazer todas as operações, enquanto os usuários secundários só executam as funções que ele autoriza.

Ao analisar o material, a PF apontou a necessidade de aprofundar a investigação sobre as movimentações financeiras de Tomaz e de suas empresas e sobre a relação dele com agentes públicos, entre eles Flávio.

Voos pagos por empresas ligadas a Tomaz

A investigação também identificou voos em jatos executivos, em 2024 e 2025, pagos para Flávio e familiares por duas empresas portuguesas ligadas ao advogado: a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings. Em janeiro de 2025, o senador, a mulher, as duas filhas e Tomaz viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília em um Legacy 650 do qual a Alcazar detém um terço. Tomaz afirmou ter usado horas da sua cota na aeronave e disse que os passageiros eram seus convidados.

Para a PF, empresas ligadas ao advogado funcionariam como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” à disposição de investigados. Tomaz entrou na mira da operação pela relação com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado, e teve o escritório alvo de busca e apreensão em agosto, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio já declarou publicamente ser amigo do advogado. Segundo o UOL, os dois fizeram um safári na África em março de 2025, e o senador ficou em um apartamento de Tomaz em São Paulo durante a campanha deste ano.

O que dizem os citados

Em nota ao UOL, a assessoria de Flávio afirmou que o senador “nunca manteve conta tendo como usuário master” Tomaz ou empresas dele. A nota classifica as informações como falsas, atribui a divulgação ao período eleitoral e diz que os responsáveis serão processados criminalmente.

A defesa de Willer Tomaz declarou que a conta citada nunca pertenceu ao advogado, que ele jamais criou usuário em nome do senador em nenhuma plataforma e que entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira. Também anunciou medidas judiciais contra quem divulgar o que considera acusações falsas.

Os e-mails, por si sós, não comprovam participação do senador nas fraudes do INSS.

O espaço está aberto aos citados para manifestação.

Atualização: a ligação com Vorcaro

Atualizada em 14 de outubro de 2026. Relatório da PF descrito nesta quarta-feira (14) pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, acrescenta novos elementos ao caso.

Para os investigadores, o cadastro de Flávio como usuário master da conta da Alcazar Holdings no Santander daria ao senador acesso elevado à gestão da conta e sustenta a hipótese de uma participação econômica ou societária de fato na offshore, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem Tomaz como único sócio formal. O documento, por si só, não comprova que o senador fosse sócio da empresa nem que recursos tenham passado pela conta.

A Alcazar detinha 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dona do Legacy 650 usado pelo senador. Na época da viagem, as outras cotas eram do empresário Laerte Cosentino, fundador da Totvs, e da Prime You, empresa que teve no quadro societário o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Tomaz afirmou desconhecer a participação da Prime You na aeronave e a ligação dela com Vorcaro. O mesmo avião transportou, em agosto de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a advogada Viviane Barci de Moraes.

O relatório cita ainda reservas de voos fretados entre Portugal e Nice, na França, em abril e maio de 2025, com Flávio, Tomaz e familiares entre os passageiros, e conversas entre os dois pelo Confide, aplicativo criptografado que apaga as mensagens depois de lidas.

Sobre a nova reportagem, a assessoria do senador afirmou que o próprio e-mail ao Santander prova que a vinculação era indevida, já que pedia a sua retirada. Tomaz chamou de “ilação” deduzir do documento uma participação societária, disse que as viagens foram passeios entre famílias, sem pagamento nem contrapartida, e atribuiu a exposição de seus dados a um vazamento criminoso.

Fontes: reportagem de Fábio Serapião e Natália Portinari, do UOL, e coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo.

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